Após quase dez anos como vocalista do Grupo Som & Louvor, Fábio Brasiliano deixa o grupo em março de 2008, dedicando-se em tempo integral aos seus projetos pessoais, lançando o seu primeiro álbum solo em outubro de 2008, de título “De Volta à Vida”. Saiba mais na entrevista: GMC- Como você iniciou sua carreira musical? Acho complicado dizer que tenho uma "carreira" musical. Sou cristão desde que nasci, assim como minha mãe. Fui uma daquelas crianças que estava sempre na igreja. Minha mãe sempre esteve envolvida com o departamento de música, o que me levava a acompanhar ensaios e mais ensaios de grupos musicais. Foi aí que comecei a me interessar por música cristã. Cantei meu primeiro solo aos oito anos, morrendo de vergonha e tentando "engrossar" a voz, cantando num timbre mais grave do que o que possuía na época. Isso foi em 1991. Quando completei catorze anos, passei a me envolver mais diretamente com a música, começando a cantar em grupos musicais mistos e masculinos, em Santo André, cidade onde vivi até 2007. Em 1999, participei de um teste no então já consagrado grupo paulista Som & Louvor. Ingressei no grupo com dezesseis anos. Passei boa parte da minha adolescência cantando com o grupo pelo Brasil, consolidando de uma vez por todas minha paixão pela música cristã. De lá pra cá, me tornei um aficionado por todas as vertentes da música cristã, de uma maneira geral. O sonho de gravar um álbum solo existe desde os meus quinze anos, mas houve uma sucessão de fatos em minha vida que culminaram na oportunidade de desenvolver um ministério como intérprete-solista. GMC- Após quase dez anos como vocalista do Grupo Som & Louvor, qual foi o motivo de sua saída? Depois de nove anos e alguns meses no grupo, eu e minha esposa decidimos deixar o grupo para buscar outras formas de atuação na igreja, não apenas cantando, mas também participando mais de perto da congregação, ajudando em alguns departamentos e auxiliando nossa igreja local em seus projetos. Sentíamos falta deste tipo de trabalho diretamente na igreja, já que a agenda concorrida do grupo exigia uma atenção especial a este ministério. Além disso, passamos a desenvolver um planejamento para o ministério que começaríamos a desenvolver nos próximos meses, sobretudo a divulgação do álbum "De Volta à Vida". Amo todas as pessoas do grupo e ainda hoje mantemos contato com todos eles. Não posso negar que a participação no grupo fez parte do meu desenvolvimento como pessoa e como cristão. Foi no grupo, por exemplo, que conheci minha esposa (que fez parte do grupo por quase quinze anos). Sou eternamente grato a cada um dos atuais integrantes, e também aos membros do passado, pois eles são parte da história da minha vida e me conhecem como poucas pessoas. GMC- Como foi a experiência de gravação do seu primeiro álbum? Um grande desafio. Quando comecei a escolher o repertório do álbum, por volta de 2004, eu vivia um outro momento musical e espiritual. Parte das idéias originais acerca do projeto foram mantidas, mas a grande maioria foi alterada, em função de experiências pessoais e musicais que me deram uma outra concepção do que é um ministério musical verdadeiramente útil. Mas se eu pudesse resumir numa palavra todo o processo produtivo do álbum, eu diria "aprendizado". Musicalmente falando, espiritualmente falando... Foi uma experiência de amadurecimento e de revisão de conceitos pessoais. Uma outra experiência gratificante de todo o projeto foi a possibilidade de trabalhar em conjunto com Ruben Morais, que é quem assina a produção do álbum. O Ruben é conhecido no meio cristão por seus diversos trabalhos junto a nomes como Sérgio Saas, David Fantazzini, Esdras Gallo, Link 4, Raiz Coral, Renascer Praise, Rodrigo Wegner e Sérgio SAAS. A experiência do Rubens adicionou ao projeto uma caracterização sonora diferente daquilo que estamos acostumados a ouvir na música adventista atual, respeitando sempre os critérios que fazem da nossa música uma das mais apreciadas no meio cristão brasileiro. GMC- Qual foi o critério para escolher esta música ("De Volta à Vida", título do álbum), e para escolher todo o repertório? Uma das parábolas de Jesus que mais me chama a atenção é sem dúvida a do “Filho Pródigo”. E acredito que todas as pessoas, conscientemente ou não, encontram-se na mesma situação do "filho pródigo" da parábola, todos os dias. Quando pensei em gravar um álbum solo institui o título "De Volta à Vida", mesmo sem nenhuma canção com este título previamente composta. Foi então que, em 2005, após uma série de decisões erradas e de pecados cometidos, finalmente me encontrei com Deus, voltando a viver uma vida cristã honesta, retornando ao "lar", assim como na parábola. A letra desta canção originou-se destas experiências pessoais, bem como toda a idéia atual do álbum. Todas as demais canções do álbum foram escolhidas para complementar a mensagem de que, o perdão de Deus nos dá a chance de recomeçar uma nova vida com Jesus. Não uma vida perfeita (já que isso é impossível enquanto estivermos nesta terra), mas uma vida de disposição incondicional ao serviço e à vontade de Deus. GMC- Quais suas músicas preferidas do disco? É muito difícil dizer que esta ou aquela canção é a minha preferida, já que cada uma delas foi propositalmente escolhida para o álbum por conta de uma identificação pessoal com cada letra e melodia. Além da música tema (que possui a letra mais autoral do álbum todo), gosto demais das canções: "Fim de Tarde" (Stênio Marcius); "Quero Dizer" e "Gratidão" (Rodrigo Wegner); também gravei uma releitura da canção "Vamos Subir" (composição de Lucas Pimentel, já gravada pelo grupo Nova Voz e pelos Arautos do Rei). Não vejo a hora de apresentar estas canções ao público! GMC- Você é cantor e compositor? Tenho minha profissão e não me considero nem cantor, nem compositor. Sou apenas mais um servo, tentando transmitir às pessoas a mesma mensagem que aprendi desde pequeno. Minha intenção com o lançamento deste álbum, é tentar levar Deus até as pessoas, usando para isso uma linguagem musical que seja acessível também para pessoas não cristãs. Por esta razão algumas canções do álbum possuem estilos musicais variados. GMC- O que você gosta de ouvir nas horas vagas e que dicas de CD's você poderia dar para os usuários do Gospel Music Café? Da música cristã brasileira, sou um fã incondicional do quarteto Arautos do Rei, Leonardo Gonçalves, Grupo Som & Louvor, Danilo, Rodrigo Wegner, Adriana de Carvalho, Novotom, Aline Barros, João Alexandre, Stênio Marcius, Robson Nascimento, Sérgio Saas, entre outros. Já da música cristã internacional, admiro o trabalho de cantores como Michael English (todos os meus amigos sabem que ele é a minha maior influência), Steve Green, Phil Stacey, Bebe Winans, Jason Crabb, Mark Lowry, David Phelps... Além dos grupos Gaither Vocal Band, Phillips, Craig & Dean e Take 6. Recomendo qualquer material que se possa achar de todos estes cantores mencionados! São pessoas muito iluminadas por Deus, verdadeiros ministros musicais, muito inspirados! 9- O que podemos esperar do ministério Fábio Brasiliano para o futuro? Meu maior objetivo com o lançamento deste álbum é atingir com minha música pessoas que ainda não pertencem a nenhuma religião específica, quebrando os preconceitos que envolvem as igrejas evangélicas em geral e mostrando única e exclusivamente Jesus Cristo, nosso salvador. Não gravei um CD com o intuito de me firmar como um cantor evangélico ou ser uma referência musical, mas sim, para tentar abreviar a volta de Jesus, cantando do Seu amor e de Suas palavras. Espero encontrar em minhas apresentações pessoas que buscam a Deus de coração, que não tenham os olhos e os ouvidos voltados para a minha aparência pessoal, para o meu timbre ou técnica vocal. O propósito deste álbum é o evangelismo. E vou lutar por isso. Fábio Brasiliano março / 2009